Segredos de felicidade

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Quando nasci, um anjo sorrindo soprou-me aos ouvidos segredos de felicidade. Ele sorria um sorriso infinito e em meio aos dentes cerrados tão brancos e luminosos, das palavras sairam apenas sussurros. Certo das maravilhas contidas em sua mensagem, o anjo falava cheio de graça, como quem tenta compartilhar uma piada hilariante mas acaba se divertindo muito mais do que o seu interlocutor.

A criatura celeste tropeçava em gargalhadas, perdia o fôlego e seu discurso saia torto e quase inaudível. Ofegante, falou baixinho, mas tão baixinho que em minha pequenice não entendi de todo a mensagem. Sabia que era importante, algo essencial para viver o melhor da vida. Ser feliz, quem não gostaria?

Apesar do incompreendido, senti conforto em seu entusiasmo e, contente, segui meu caminho, confiante de que iria desvendar suas palavras. E andava, vivia, tentava e caia. Chorava, sorria e vivia mais. Errava, gritava, sonhava e acertava, vivia e aprendia a amar.

O tempo passou. A vida foi se fazendo em memórias e, somente quando na velhice me encontrei, de um estalo, compreendi o enigma angelical. Ele havia dito, que devemos rir de nós mesmos e que a efemeridade da vida é feita justamente para que não levemos cada passo tão a sério. Aquele anjo, alegre e brincalhão, havia para mim sussurado que a felicidade viria em gotinhas e que dela eu só entenderia quando não mais pudesse tentar. Nesta vida fugidia, cada “momentinho” importa para fazer felicidade. E nesse paradoxo, a mim caberia conferir o quanto de gotinhas estoquei nas lembranças que me tornaram gente.

Maceió, abril de 2016

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