Pequeno fragmento sobre o tempo

 

MINOLTA DIGITAL CAMERA

Às vezes, nessas horinhas finais de luz do dia, ao sentir o sopro dos ventos vespertinos, em silêncio me pego pensando: Será que é mesmo tarde? Não seria este instante o raiar de um novo amanhecer?

Como se sofresse uma traição do tempo, me questiono se o fim já não é agora um recomeço. As mesmas luzes cinzas e amarelas, claras de um azul lavado, as sombras indefinidas invadem minha solidão e substituem os contrastes do meio-dia por um ar em calmaria. Seria madrugada ou crepúsculo? Com a alma em medonha agonia, que fora causada por questão temporal por mim mesma proposta, dispo-me das ordens lineares da vida. Já arrependida por criar esta agitação mental, volto minha atenção para os pássaros, que, em revoada buscam o alento do ninho, como quem saudosamente retorna a um lar pleno de amor. Ou será que dele fogem?

Não há repostas. Vida em ciclo.

Leave a Reply

Your email address will not be published.Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*