Frustração

tentando escrever

Palavras…

Palavras, por que não me dão o ar de sua graça?

Quero palavras românticas, palavras acolhedoras, palavras mimosas. Sim, mimosas. Quero palavras de pelúcia, quero as palavras mais doces que eu puder encontrar. Preciso das palavras singelas, daquelas que acariciam a alma, tão puras, tão límpidas, quero as palavras mais cristalinas.
Palavras, estou aqui, ansiosa para escrever. Ávida, como criança que ao aprender uma receita de bolo com a mãe, já não se aguenta de contente e quer logo – ah, criança impaciente – misturar tudo na tigela, pôr no forno sem demora, para imediatamente lambuzar-se com a sobremesa pronta. 
De igual modo, quero eu, aprender a mágica das letras, descobrir a mistura perfeita, os segredos do preparo que me farão sentir os sabores da escrita.
Mas, palavras, venham logo, a noite tem passado depressa, os dedos já não suportam a espera e a poesia almeja ser escrita para encantar meu amado que não tarda em chegar. 
Palavras, eu peço, não sou boa com o verbo, e se no papel com letras não puder me revelar, temo que o silêncio seja um grande inimigo, e, por causa dele, o sentimento não dito, nunca há de presente se tornar. 
Não permitam pois, palavras, que na espera de um futuro apaixonado, o amor, sem nem ter acontecido, fique já aprisionado em uma amarga lembrança que de ideia não passou.
 
P.S. : Susto. A energia acabou, o cursor desapareceu da tela. Não mais haverá impressão de letra no papel. Acabou a poesia. Vejo o passado chegando. Fecho os olhos frustrada e penso, ferramenta mais áspera é essa, o computador. Tudo escuro. Procuro uma vela. Será que ainda existe algum lápis na casa? – borrão de pensamento.

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