Aquém Sol, Além-Mar

O mediterrâneo perto de Antibes, 1888 de Claude Monet

“O mediterrâneo perto de Antibes”, Claude Monet – Imagem de capa do livro “Aquém Sol, Além Mar”, de Leda Almeida

 

Estes dias tive a alegria de ir ao lançamento de um livro lindo, escrito por Leda Almeida, que entre as tantas possibilidades de manifestar sua existência na vida, escolheu também cultivar o difícil ofício da escrita.

O livro, “Aquém Sol, Além Mar”, é dividido em duas partes,  intitulada “Desejo de Infinito”, composta por crônicas; e  “Entre palavras e silêncios”, que reúne textos sobre experiências psicanalíticas. A diagramação, da editora Bagaço, é agradável aos olhos e permite que nos dediquemos unicamente ao prazer da leitura.

GRD_964_Capa_Aquem Sol Alem MarEm seus textos, Leda nos apresenta algumas de suas experiências de vida e suas reflexões sobre sua condição de estar no mundo, mas, a sensação é que a autora está a falar sobre todos nós. É de mim que ela fala. Durante a leitura eu me pego concordando: É isso mesmo, a vida é isso ai! É um eterno acordar e se esforçar para que a rotina não nos amarre sobre a Terra. É tentar renovar-se todo dia e querer ser mais do que nossas obrigações cronometradas e, nas palavras da própria autora, “fazer por merecer que os dias sejam do tamanho do nosso desejo”.

De uma maneira enriquecedora, Leda vai pincelando o seu texto com suas referências culturais, afinal, somos também aquilo que lemos, ouvimos e apreciamos artisticamente. Em meio as palavras da autora, nos deparamos com lampejos de Chico Buarque, Mia Couto, Graciliano Ramos, Saramago e tantos outros. E qual não foi a minha surpresa, quando, ainda nas primeiras páginas do livro, dizendo sobre a vida, Leda usa as palavras de Monteiro Lobato que mais adoro, palavras que me alegram e me enchem de medo ao mesmo tempo: “Viver é como piscar. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é mesmo isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais…”

Antes de virar hipótese, como a Emília bem explicou ao Senhor Visconde, é muito revigorante ler palavras que inspiram e nos empurra para o viver. De modo sensível, o livro nos convida a celebrar os pequenos detalhes desta imensidão do universo.

Mas como viver não é fácil, na eterna luta de “descobrir-se e saber continuar-se”, tropeçamos em desamparos, silêncios e sintomas de angústia que nos impede de ir além.

Pensando sobre alternativas de deslocar os sofrimentos e prosseguir, na segunda parte do livro, Leda aponta caminhos possíveis através do percurso analítico, seja através do divã ou da arte, mas sempre pela linguagem. Só assim, olhando para nós mesmos é que festejaremos a vida lá fora.

Em seu livro, para dizer do seu desejo, Leda diz de todos nós, e saboreando suas ideias, senti um ímpeto de buscar alegrias neste mundo e um pouquinho mais de coragem para acordar “sem medo da vertigem que nos acossa quando olhamos para o abismo de nós mesmos”.

Quem tiver interesse em adquirir o livro Aquém Sol, Além Mar, pode fazê-lo através deste link, do site da Editora Bagaço.

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