A rotina do plágio

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Texto postado originalmente no blog Sociedade Movimento em julho de 2012.

Sim, estamos na era da informação. A facilidade e a velocidade com que temos acesso a ela é mesmo impressionante. A internet revelou-se uma incrível ferramenta para a aquisição de conhecimento, mais abrangente do que qualquer biblioteca. O Google está aí, para nos dar todas as respostas sobre “a vida, o universo e tudo mais” – questão tão procurada pelo escritor Douglas Adams (2009) em sua busca incessante pela questão fundamental no livro “Guia do Mochileiro das Galáxias.

E sim, a banalização da informação tornou-se ao mesmo tempo uma das características mais evidentes desta nossa era. Atingimos um momento crítico onde o plágio é rotineiro e a autenticidade do conteúdo é muitas vezes duvidosa. Na internet encontramos “textos cópias” que circulam livremente pela rede com um autor falsário,  textos criados com a autoria alterada por nomes de escritores famosos para promover a divulgação, textos e imagens sem fontes reproduzidos indiscriminadamente em sites diversos.

Além de tais deformidades da produção intelectual espalhadas pela internet, a falta de preparo do sistema educacional brasileiro em lidar com as tecnologias da informação como instrumentos da pesquisa científica, tem feito com que os estudantes acreditem ser prática normal  o ato de recortar, copiar e colar passagens textuais ou ilustrações de outros autores sem aplicar as normas e recomendações técnicas existentes para o uso de referências. De forma abusiva, citações são copiadas abaixo de citações sem nenhuma argumentação ou justificativa para a escolha de determinada fonte. Não há reflexão alguma, ou análise crítica sobre o tema que permita originar discussões e consequentemente produzir conhecimento.

Ao ser determinado um tema para pesquisa em sala de aula,  os alunos simplesmente o transcreve para um site de busca e, voilà! Basta abrir os links listados, copiar e colar em um editor de texto criando um documento único (frequentemente desconexo), anexar uma capa e o trabalho de pesquisa está pronto! Não é preciso nem ao menos ler o que se copia,  como se fazia antigamente nos mesmos trabalhos de pesquisa transcrevendo o conteúdo da enciclopédia da escola.

Como se percebe, o causador do plágio não são as facilidades proporcionadas pela internet, pois isto já era feito quando se tinha apenas as fontes impressas para pesquisar. O que ocorreu foi uma intensificação destas fraudes, tomando proporções absurdas a ponto de dificultar a execução de pesquisas seguras na rede mundial de computadores.

É necessário transformar o modelo de ensino baseado no simples ato de decorar e repetir o que existe por aí.  A escola deve oportunizar discussões e debates que admitam a  reflexão,  o livre pensar e o desenvolvimento do senso crítico dos estudantes, de maneira que a informação existente seja o alicerce e a internet seja um grande aliado em todo este processo.

As Normas Brasileiras e a lei federal de direitos autorais (Lei no 9.610/1998) existem para regulamentar a produção intelectual, permitindo que esta se torne pública e seja reproduzida corretamente, com confiabilidade e segurança em meios diversos.

A utilização da internet como auxiliar na educação deve ser incentivada. Graças a ela é possível comunicar a nossa opinião, acessar conteúdos de quase todas as partes do mundo, discutí-los, contestá-los,  concordar com eles  ou, a partir deles, produzir um conteúdo inteiramente novo. Este, por sua vez, será também alvo de reflexões, sustentando o movimento essencial ao saber.

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