A Arte – conversas imaginárias com minha mãe

Recentemente ganhei um livro lindo de minha mãe, intitulado “A Arte – conversas imaginárias com minha mãe” (Sim, ela adorou o título! E eu também.). O livro é de um escritor espanhol, estudioso de Arte e desenho, Juanjo Sáez, ilustrador e autor de diversos trabalhos publicitários.

capa

De maneira bem humorada, este livro discute conceitos de arte através de um formato bem despretensioso. Utilizando uma escrita simples, mesclada de desenhos explicativos e quadrinhos contendo pequenos diálogos com sua mãe, Sáez apresenta ao leitor, questões fundamentais sobre a importância da arte em nossa vida. Os textos e as ilustrações nos convidam a refletir para que serve a arte, como as pessoas se relacionam com as obras artísticas e que sentido místico é esse que a arte possui que tanto deslumbra e encanta algumas pessoas, como amedronta e desestabiliza outras.

O autor emite suas opiniões sobre tão profundas questões de um jeito simples e amigável. Assim, nós leitores, ficamos mais à vontade para pensar sobre arte e quem sabe, formular nossas próprias opiniões. Para discutir a temática apresentada, Sáez exemplifica com obras de alguns de seus artistas favoritos, como Miró, Calder, Picasso, Warhol e Dalí, mesclados com eventos cotidianos e de seu ambiente familiar.

miró

Questões provocadoras sobre o papel da arte contemporânea, como a relação entre arte e mercado, ou a diferença entre uma obra de arte e um objeto comum, uma vez que atualmente é usual encontrar em  museus ou exposições, elementos do cotidiano, como bicicletas, caixas de papelão, latas de sopa ou mictórios, apresentados como obras artísticas. – para quem quiser se aprofundar um pouco mais nesta última questão, recomendo um livro muito bom, intitulado “A Transfiguração do Lugar – Comum”, de Artur Danto, que aborda a filosofia da arte de uma maneira mais teórica e acadêmica.

Existem várias passagens comoventes no livro, gostei especialmente dos capítulos intitulados “A arte de navegar 1, 2 e 3”.  No primeiro deles, é apresentado um lindo monólogo de Sáez, mostrando porque a arte é tão importante para ele. Ele diz para sua mãe:

 Mamãe, quando leio quadrinhos sou feliz.

Quando vejo um bom filme sou feliz.

Quando ouço música sou feliz.

Quando sinto arte sou feliz.

Porque durante esse tempo…

deixo de existir.

arte de navegar

A arte viria, portanto, nos resgatar da existência, amenizar nossa passagem pela realidade, enchendo-a de fantasia. A arte é sensação, ela supre nossa necessidade de questionar e apresentar respostas à vida, de comunicar, de deixar nossa marca, de permanecer no mundo…“Porque [disse Sáez] a vida em si mesma só é um parêntese”.

 

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